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Muito mais rápido que os velhos discos rígidos, o SSD está ficando cada vez mais atraente. O preço por gigabyte está diminuindo, as capacidades de armazenamento estão aumentando e as velocidades de transferência e os tempos de acesso ficaram ainda mais rápidos com a adoção de novas tecnologias.

Como funciona um SSD? Quanto custa no Brasil? A vida útil é muito curta? Vale a pena comprar um SSD? Para descobrir a resposta dessas e outras perguntas, leia os próximos parágrafos.

Como funciona?

Os SSDs mais comuns no mercado possuem dois componentes fundamentais: a memória flash e o controlador.

A memória flash guarda todos os arquivos e, diferente dos discos magnéticos dos HDs, não necessita de partes móveis ou motores para funcionar. Todas as operações são feitas eletricamente, tornando as operações de leitura e escrita mais rápidas, além de deixar o drive mais silencioso e resistente a vibrações e quedas.

O controlador gerencia a troca de dados entre o computador e a memória flash. Formado por um processador que executa diversas tarefas no drive, é um dos principais responsáveis pela performance de um SSD. O chip é capaz de gerenciar o cache de leitura e escrita de arquivos, criptografar informações, mapear partes defeituosas do SSD para evitar corrompimento de dados e garantir uma vida útil maior da memória flash.

Um controlador SandForce e oito chips de memória flash dentro do OCZ Vertex 3

O avanço tecnológico nos controladores fez com que a velocidade dos SSDs aumentasse rapidamente. Enquanto os primeiros SSDs de uso doméstico, como o Intel X25-M, atingiam velocidades de 250 MB/s para leitura e 70 MB/s para escrita, os mais recentes chegam a 555 MB/s de leitura e 520 MB/s de escrita, como o Corsair Force GT, com controlador SandForce SF-2281. A quantidade máxima de operações de escrita por segundo cresceu absurdamente, sendo 8,6 mil para o Intel X25-M de 160 GB e 85 mil para o Corsair Force GT de 180 GB.

A SandForce não revela o segredo por trás do seu controlador, mas grande parte de toda essa velocidade é resultado de uma técnica de compressão de dados. Como é necessário manipular menos dados na memória flash, uma operação de gravação de arquivo acaba se tornando mais rápida em muitos casos.

Assim como os HDs, os SSDs também possuem divisões internas. Um disco rígido possui duas divisões fundamentais: setores (menor parte física) e clusters (menor parte reconhecida pelo sistema operacional, formada por vários setores). Um SSD, por sua vez, possui páginas (menor parte física) e blocos (um agrupamento de páginas).

Vantagens e desvantagens em relação ao HD

A ausência de partes móveis, principal característica de um SSD, traz diversas vantagens. Como não é necessário mover cabeças para lá e para cá, muito menos deixar um disco girando a uma velocidade altíssima, um SSD é silencioso, possui taxas de transferência maiores, tempos de acesso menores e não sofre com usuários desastrados que derrubam coisas no chão.

As taxas de transferência dos SSDs são realmente impressionantes se comparadas com as dos HDs voltados ao uso doméstico, que geralmente ficam entre 60 MB/s e 100 MB/s. Mas é no tempo de acesso que ele brilha: enquanto um HD comum demora 10 ou 15 milissegundos para acessar um arquivo aleatório, um SSD comum faz a tarefa em 0,1 ou 0,2 milissegundo. Isso, além de resultar em um tempo de boot menor, agiliza todas as operações do sistema. Eu costumo dizer que, hoje, o maior responsável pela lentidão nos PCs é o disco rígido.

A Samsung produziu um vídeo bem legal para comparar o desempenho entre um HD e um SSD. Monitoraram o tempo de inicialização do Windows, a abertura de um arquivo PDF de 25 MB, a capacidade de suportar altas vibrações e o consumo de energia em um notebook. Confira abaixo:


(Vídeo do YouTube)

A grande desvantagem dos SSDs ainda está no preço: o custo por gigabyte ainda é bem alto em comparação com os HDs, especialmente no Brasil. Pesquisando rapidamente, é possível encontrar um SSD de 120 GB por R$ 519, resultando em um custo por GB de R$ 4,32. Um HD de 500 GB pode ser encontrado por R$ 249, apenas R$ 0,50 por GB.

Memória síncrona e assíncrona

Corsair Force GT, um SSD com memória síncrona

A memória flash de um SSD pode trabalhar de dois modos: síncrona e assíncrona. Essa informação geralmente está disponível na ficha de especificações técnicas do produto, mas os usuários não dão muita importância a isso porque não há muito conteúdo sobre o assunto.

A memória síncrona é mais cara e oferece melhor desempenho para manipular dados que não podem ser comprimidos, como músicas, fotos e vídeos. Já a memória assíncrona é menos cara e não possui uma performance tão boa para gravar dados que não podem ser comprimidos.

Num teste com o CrystalDiskMark feito pelo The SSD Review, o Corsair Force GT (memória síncrona) conseguiu 504,4 MB/s de leitura de dados não comprimidos, enquanto que o Corsair Force 3 (memória assíncrona), obteve apenas 212,6 MB/s. O primeiro certamente é uma opção melhor para pessoas que trabalham com arquivos de áudio e vídeo.

Apesar de o usuário comum não perceber diferença significativa entre um SSD com memória síncrona e outro com memória assíncrona, como a diferença de preço não é tão alta, na maioria dos casos vale juntar um dinheiro a mais e comprar um SSD com memória síncrona, como o OCZ Vertex 3 e o Corsair Force GT.

Preços dos SSDs

Os preços dos SSDs no Brasil ainda não estão uma pechincha e são bastante altos principalmente em comparação com os valores adotados em lojas norte-americanas. Fizemos uma pequena pesquisa de preços para comparar alguns dos principais SSDs do mercado:

OCZ Agility 3 (120 GB)

  • Velocidade: 525 MB/s (leitura) e 500 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 85.000
  • Preço no Brasil: R$ 519,00
  • Preço nos EUA: US$ 93,90

OCZ Vertex 3 (120 GB)

  • Velocidade: 550 MB/s (leitura) e 500 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 85.000
  • Preço no Brasil: R$ 599,00
  • Preço nos EUA: US$ 93,49

OCZ Vertex 4 (128 GB)

  • Velocidade: 560 MB/s (leitura) e 510 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 90.000
  • Preço no Brasil: R$ 639,90
  • Preço nos EUA: US$ 114,99

Corsair Force 3 (120 GB)

  • Velocidade: 550 MB/s (leitura) e 510 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 85.000
  • Preço no Brasil: R$ 499,90
  • Preço nos EUA: US$ 116,99

Corsair Force GT (120 GB)

  • Velocidade: 555 MB/s (leitura) e 520 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 85.000
  • Preço no Brasil: R$ 535,00
  • Preço nos EUA: US$ 125,49

Intel 320 Series (120 GB)

  • Velocidade: 270 MB/s (leitura) e 130 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 14.000
  • Preço no Brasil: R$ 716,90
  • Preço nos EUA: US$ 149,99

Intel 520 Series (120 GB)

  • Velocidade: 550 MB/s (leitura) e 500 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 80.000
  • Preço no Brasil: R$ 822,90
  • Preço nos EUA: US$ 128,50

Kingston SSDNow V+200 (120 GB)

  • Velocidade: 535 MB/s (leitura) e 480 MB/s (escrita)
  • Máximo de operações de escrita de 4 KB por segundo: 55.000
  • Preço no Brasil: R$ 521,90
  • Preço nos EUA: US$ 91,99

Eu, pessoalmente, gosto muito do OCZ Vertex 3 e do Corsair Force GT, drives que oferecem um excelente desempenho sem cobrar preços absurdos como fazem alguns fabricantes.

Perguntas frequentes

A vida útil de um SSD é muito curta?

Por ser baseado em memória flash, assim como pendrives e cartões de memória, os SSDs possuem vida útil limitada pela quantidade de ciclos de escrita. E, curiosamente, com a miniaturização do processo de fabricação das memórias flash, essa quantidade está diminuindo. Convencionou-se que a memória flash dos SSDs suporta 10 mil ciclos de escrita, mas os drives mais novos possuem vida útil estimada em 3 mil ou 5 mil ciclos, segundo o AnandTech.

Mas não há motivo para pânico: você não vai detonar seu SSD novinho em folha em um ou dois anos de uso. O controlador do SSD possui uma tecnologia chamada wear leveling, que pode ser traduzida como “distribuição de uso”. Essa tecnologia evita que um mesmo bloco da memória flash seja utilizado muitas vezes. Quando um arquivo é criado ou alterado, o controlador automaticamente grava os novos dados em blocos menos utilizados.

Sabendo do wear leveling, vamos simular um cenário hipotético onde você comprou um SSD com capacidade de 120 GB e vida útil de apenas 3 mil ciclos de escrita. Por ser um usuário extremamente avançado, você é capaz de gravar 120 GB de dados todos os dias, o que nem de longe é algo normal. Fazendo as contas, isso significa que você terá pouco mais de 8 anos até que o SSD comece a falhar. Num ritmo mais normal, gravando 20 GB de dados por dia, esse tempo subiria para 49 anos. Em 49 anos, pode ser que nem você esteja funcionando.

Geralmente, os fabricantes são mais conservadores e estimam a vida útil de um SSD como sendo de 5 a 10 anos de uso intenso. A garantia de fabricantes como OCZ e Corsair no exterior é de 3 anos. Como você provavelmente já terá trocado de computador ou feito um upgrade durante esse tempo, não deverá ter problemas.

É necessário desfragmentar um SSD?

Você até pode desfragmentar um SSD, mas vai acabar gastando ciclos de escrita desnecessariamente, diminuindo a vida útil do dispositivo. Em outras palavras: não, não é necessário e muito menos recomendável praticar esse tipo de tortura com um SSD.

Como um SSD possui um tempo de acesso extremamente baixo, não há perda significativa de desempenho quando fragmentos de arquivos estão espalhados pelo disco, diferente de um HD, que sofre para mover sua cabeça de leitura para juntar várias partes de um arquivo.

Não desfragmente (nem otimize) um SSD

Um SSD fica mais lento com o tempo?

Isso era verdade nos SSDs lançados há alguns anos, mas o problema não ocorre nos drives mais novos.

Assim como no HD, excluir um arquivo no Windows não significa que ele será apagado fisicamente do disco. Isso não seria um problema se não fosse uma limitação da memória flash: não é possível apenas regravar dados como em um HD, em que você grava por cima de um arquivo. É necessário restaurar a página do SSD ao estado original e só depois gravar o novo dado, o que acaba diminuindo o desempenho.

Também não há meios para restaurar páginas ao estado original de forma independente, é necessário apagar o bloco inteiro. Se o sistema operacional precisar apagar só uma das páginas, o controlador deverá copiar todos os dados de um bloco para um cache, restaurar os dados em outro bloco, apagar o primeiro bloco e então gravar a nova informação.

Para evitar todo esse trabalho, o controlador do SSD procura gravar dados preferencialmente em páginas vazias. O problema é que, depois de um tempo, quando todos os blocos já foram usados pelo menos uma vez, o controlador precisaria executar a tarefa sempre.

Felizmente, os novos SSDs possuem um comando chamado TRIM, utilizado pelo sistema operacional. Esse comando basicamente “adianta” o trabalho do controlador e limpa os blocos que tiveram arquivos deletados, deixando o SSD como novo. Mas há algumas limitações: o SSD deve suportar o TRIM e o sistema operacional também. Windows 7, Windows 8, Linux 2.6.28+ e OS X 10.6.8+ suportam o comando.

Vale a pena?

Se você está juntando dinheiro para fazer um upgrade no PC, vale a pena começar a pesquisar preços de SSDs. Com um disco rígido, o desempenho da máquina acaba sendo limitado em tarefas cotidianas, como abertura de programas, carregamento de jogos e qualquer outra operação que envolva leitura e escrita de dados, não importando quão rápido seu processador seja ou quanta RAM você tenha instalado – o resto dos componentes precisará esperar o lento HD fazer seu trabalho para finalmente entrar em ação.

Infelizmente, os SSDs são muito mais caros que um HD e devem continuar assim por um longo tempo. Para gastar menos e ter um retorno maior, vale a pena utilizar um SSD apenas para instalar o sistema operacional, os aplicativos e jogos mais usados e seus arquivos de trabalho. Filmes, músicas, fotos e outros arquivos gigantes podem ser armazenados num HD – ou até mesmo na nuvem.

O problema de utilizar um SSD e um HD ao mesmo tempo é que, nos notebooks, pode não haver espaço físico suficiente. Nesse caso, a recomendação para quem guarda muitos arquivos é utilizar um HD híbrido, como o Seagate Momentus XT. Esses HDs possuem uma pequena quantidade de memória flash utilizada como cache dos arquivos e programas mais acessados, o que melhora a performance geral do sistema após algum tempo de uso.

Por fim, tenha em mente que, após comprar, instalar e usar um SSD, você seguirá um caminho sem volta: após alguns dias, qualquer computador com HD parecerá lento.

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